Gravatas e moldura, ternos que nos couberam

segunda-feira, 15 de março de 2010

1. A Cultura Condiciona a Visão de Mundo do Homem

Livro: "Cultura: um conceito antropológico" - Roque de Barros Laraia
pág. 67
Segundo Laraia (2009), Ruth Benedit diz que a cultura serve como uma lente, e que nós a utilizamos para ver e interpretar o mundo.
Esse tipo de afirmação é muito interessante e coerente, se tomarmos com exemplo a cultura árabe, mais precisamente ao que diz respeito ao costume da poligamia, o homem tem direito de tomar mais de uma mulher como esposa. Aqui, no ocidente, terra baseada na monogamia, tendemos a considerar o costume árabe absurdo. Mas o que não é mito conhecido é que é obrigação pára o marido ser justo com todas as suas esposas. Temos tal pensamento por que olhamos o fato com as “lentes” de nossa cultura. Já para os árabes, absurdo é a separação e a traição.
Laraia acrescenta que é possível distinguir indivíduos de culturas distintas por características como “modo de agir, caminhar, comer, sem mencionar a evidência das diferenças lingüísticas’, isso somente observando. E diz que essas percepções são feitas somente com essa chamada “lente” cultural. Para nós, por exemplo, é comum crermos que temos particularidades no comportamento, mas para uma pessoa de outra cultura, nos comportamos exatamente da mesma forma (LARAIA, 2009, p. 68 e 69).
Desta forma, é notável que existam diferenças na constituição e na construção da cultura, o que já foi alvo de tentativas de explicações, como já exposto antes.
Acerca das diferenças culturais e os contrastes nos costumes, Laraia cita uma parábola, contada por Roger Keesing, muito explicativa. A parábola consiste na seguinte história:
“Uma jovem da Bulgária ofereceu um jantar para os estudantes americanos, colegas de seu marido, e entre eles foi convidado um jovem asiático. Após os convidados terem terminado os seus pratos, a anfitriã perguntou quem gostaria de repetir, pois uma anfitriã búlgara que deixasse seus convidados se retirarem famintos estaria desgraçada. O estudante asiático aceitou um segundo prato e um terceiro – enquanto a anfitriã atenciosamente preparava mais comida na cozinha, finalmente, no meio de seu quarto prato o estudante caiu ao solo, convencido de que agiu melhor do que insultar a anfitriã pela recusa da comida que lhe era oferecida, conforme o costume de seu país.” (KEESING apud LARAIA, 2009, p. 72).
Com este exemplo é fácil perceber como os valores e costumes interferem em nossas atitudes e no relacionamento interpessoal. A moça búlgara acreditava estar agradando o convidado asiático e saciando sua fome, e o convidado, por sua vez, acreditava que estava agradando a anfitriã se aceitasse, mesmo estando cheio, a comida que lhe era oferecida. Esta é a chamada “educação’ atual, a cultura nos condiciona a agir de determinada forma, mesmo que nós desejemos contrário, para não sofrer “represaria” social, ou passar por “saias justas”.
Por fim, Laraia (2009), mostra que a cultura produz estereótipos e preconceitos, que se devem o etnocentrismo, ou como diria Ruth Benedit, a utilização das “lentes” culturais.

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